"Ainda leva uma cara pra gente poder dar risada."






Um beijo, Jôka
Fotos - Jôka P.



Apesar da chuva, não resisti ao pancadão dos carros de som que desfilavam debaixo da minha janela e fui participar da Parada Gay de Copacabana.
Tenho orgulho do meu caráter, da educação que tive a sorte de receber dos meus pais, da minha conduta e também tenho muito orgulho dos meus desejos. Tenho orgulho do que sou. E você, não tem?
Porque, afinal, se você não tiver orgulho de si mesmo, então quem é que vai ter, não é ?
Nem toda história tem um herói e um vilão, mas ainda assim, não deixa de ser uma boa história.
Às vezes fico na dúvida: não sei se não tenho identidade alguma ou se na verdade tenho muitas, tal a minha capacidade de me virar do avesso e de me reinventar.
Esse papo aqui é com você, que ainda há pouco reclamou comigo no telefone, que eu não tenho atualizado mais o blog, e tal. Taí.
Há muito anos, estávamos eu e Miguel olhando pro céu de Itaipava, na rede da varanda - loucos, desarvorados, rindo de qualquer besteira. Quando de repente, uma estrela despencou sobre as nossas cabeças. Sem nenhum ruído, nada. Talvez um rastro luminoso, mas muito breve. Tão breve que mal deu tempo de gritar : -"Olha lá uma estrela cadente !"
A solidão repleta de gente é a pior de todas. A solidão dos meninos que nunca aprenderam a crescer.
Quando eu era criança, a minha avó me levou ao Cinema Metro Copacabana, para assistir Quo Vadis. Vovó torcia por Deborah Kerr, a bondosa cristã de túnica azul, que amarrada numa estaca, enfrentava corajosamente uma fera faminta. Eu torcia pela vilã, a bela imperatriz morena, coberta de jóias, que condenava abaixando o dedão, impiedosa.
Anos depois, descobri o nome daquela coadjuvante que encheu meus sonhos por algum tempo.
A atriz se chamava Patricia Laffan e nunca se tornou uma estrela.Mas numa espécie de vingança estranha e compulsiva, eu inventei a sua história : ela se casou com um homem bom, o bonitão da turma, que a amava desde os tempos da escola. E que sempre esperou por Patricia, até que ela se cansasse da carreira.
Então construiram juntos um futuro de felicidade, uma vida em Technicolor.
Sinceramente, não posso me queixar da vida. Tenho sido muito feliz e, porque não, mimado pelas pessoas queridas que também gostam de mim. Como vocês, por exemplo.Todo mundo adora presentes, lógico. E não me lembro de ter recebido nada com mais surpresa e alegria do que esse pacote de chocolates Língua de Gato da Kopenhagen, que ganhei ontem à noite. Só não me perguntem de quem, porque, vocês sabem, acho muito abuso e não dou essas intimidades.
Mas o que é que eu posso achar desse gesto assim tão incrível e inesperado?
Fui um garoto lindo. O meu rosto parecia ter sido feito de açúcar e lambido pelos anjos.
Quando eu chegava na escola, no pré-primário, as professoras e todas as crianças levantavam e aplaudiam de pé, emocionadas com aquele menino tão belo.Sempre digo (e repito) que vou voltar pra academia, parar de comer tanto macarrão e deixar de perder tempo viajando na internet. Mas apesar disso até refletir uma vontade real, é tudo mentira, nunca vai acontecer. Nunca. Aliás, a tendência é só piorar.
Esses dias fui assistir à duas peças ótimas: o Hairspray, que já falei no post aqui abaixo, e “O despertar da Primavera”. É uma espécie de ópera rock, que fala da difícil descoberta da sexualidade através um de grupo de adolescentes alemães no final do século XIX.
Pra quem gostar de musicais (eu adoro!) o link com mais informações sobre o espetáculo está aqui.
Os comentários no blog estão diminuindo cada dia mais. Com certeza isso não é só aqui, é geral. Nada pessoal.
A verdade é que não gosto nem um tico de ficar aqui sozinho, falando com as paredes. A minha carência ainda não chegou a esse ponto.
A versão brasileira do musical da Broadway HAIRSPRAY, traduzida e dirigida por Miguel Falabella é uma superprodução com 40 cenários, mais de 350 figurinos lindos, 100 perucas hi-lá-rias, um elenco formado por 31 atores e 12 músicos.
A peça é estrelada por Edson Celulari, que vive a gorda dona de casa Edna, com 5 quilos de enchimento no corpo, Simone Gutierrez , que arrasa muito como Tracy Turnblad, a maravilhosa Arlete Salles, bacanérrima como Velma, Danielle Winits (Amber) e Jonatas Faro no papel de Link.
Nem precisava dizer, mas é lógico que Hairspray tem aquele toque de alta qualidade e glamour que está presente em todas as produções de Miguel.
Assim como todo o público entusiasmadíssimo, que aplaudiu de pé, me emocionei muito e ADOREI !
Teatro Oi Casa Grande - Rua Afrânio de Mello Franco 290, Leblon , Rio de Janeiro, RJ
Quintas e sextas, às 21h, Sábados, às 18h e 21h30; Domingos, às 19h - Informações: 3114-3716/3114-3712 - Classificação: Livre
Miguel e Môka, a giganta. Tenha medo, tenha muito medo.
♫ Heaven ♪♫ I´m in heaven... ♫♪♫ Olha só a minha cara de felicidade, tietando a estrela Arlete Salles.
☺